A Clariant S.A. é uma empresa admirável, um enorme organismo vivo composto por diversas unidades fabris trabalhando em escala mundial, com milhares de colaboradores, que produzem um sem-número de produtos químicos que compõem uma gama de objetos utilizados por todos em nosso cotidiano.
Por outro lado, podemos considerá-la também como um sistema complexo em funcionamento. Um conjunto gigantesco, conectado por fios invisíveis de ações inter-relacionadas, que muitas vezes levam anos para manifestar seus efeitos umas sobre as outras. Como advogar com eficiência para uma empresa assim?
Quando fomos convidados a trabalhar como advogados da Clariant há cinco anos, encaramos a oportunidade em nosso escritório como um desafio. Isso porque a Clariant padecia à época de problemas no âmbito jurídico, em razão de seu próprio gigantismo, ante o ambiente atrasado e avesso ao empreendimento empresarial, infelizmente ainda em voga no Brsil.
A questão que desafiava o Departamento Jurídico em 2002 me parecia ser: "como quebrar algumas inércias negativas, condenações constantes, tantos processos indevidos que eram demandados contra a Clariant?".
Assim iniciamos nosso trabalho, sempre em conjunto e sob a coordenação estratégica do Departamente Jurídico. Ao mesmo tempo, tivemos ampla liberdade de ação, com acesso livre às provas, informações em todas as áreas pertinentes, tudo o que fosse necessário para a boa e eficiente defesa judicial nos processos que envolviam a Clariant.
Estabelecemos o trabalho conjunto do Jurídico com o escritório na perspectiva de uma estratégia sistêmica, coordenada pelo Departamento Jurídico, que envolvia pessoas-chave por toda a organização, possibilitando uma visão do todo. Conseguimos de certa formaobter um quadro referencial para ver inter-relacionamentos, em lugar de eventos; para ver os padrões de mudança, em vez de fotos instantâneas. Os problemas então foram atacados em sua raiz.
Era necessário também simplificar procedimentos, uma forma eficaz de lidar com problemas complexos. Partíamos do pressuposto de que o desperdício prospera na complexidade, sendo que a eficácia requer simplicidade.
Estabelecer o foco sempre foi essencial. Pois a tendência é esperar que todas as causas tenham mais ou menos a mesma importância; que todos os componentes da equação sejam igualmente valiosos; que todos os problemas apresentem um grande número de causas, de forma que não vale a pena isolar umas poucas causas-chave.
No entanto, a experiência mostra que não é assim. Nesse ponto, somos levados a concordar com "Paretto", para quem, 20% das atividades geram praticamente 80% dos problemas, ou 80% dos lucros vêm de cerca de 20% das atividades, e assim se seguem outros inúmeros exemplos.
Foco então é essencial para atuar em qualquer atividade, para atacar qualquer problema. O interessante é que podemos ver nessa assimetria entre causas e efeitos uma boa notícia: "existe um volume trágico de desperdício em toda parte, na maneira pela qual a natureza opera, nos negócios, na sociedade e em nossas vidas". Há um enorme campo para melhorias, por meio do rearranjo e do redirecionamento das potencialidades na empresa. Melhorar a natureza, recuar o status quo, é a rota de todo progresso humano.
Podemos dizer que esses anos de trabalho conjunto nos têm ensinado especialmente que:
Enfim, o que mais posso dizer sobre isso? O trabalho para a Clariant tem sido uma oportunidade e um privilégio para a Camargo Malachias Advogados. Considero parte da missão do escritório nos tornarmos um componente que contribua para o sucesso da empresa, assim como para o sucesso dos nossos demais clientes.
Esse artigo foi publicado na edição número 9 do jornal A Comarca Jurídica um artigo do sócio Alexandre Camargo Malachias.Clique sobre a imagem para ver a versão escaneada.