Especialistas dizem que inovações da metrópole atingem continente

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A influência de São Paulo é maior que a medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e atinge vários países sul-americanos, segundo a professora do departamento de Geografia da Pontifícia Univrsidade Católica (PUC) de Campinas Juleusa Maria Theodoro Turra. "São Paulo é mesmo desse tamanho e se faz sentir também fora da fronteira brasileira. Uma metrópole assim tem influência continental", disse.
Ela destaca que as ações, produtos, programas e serviços paulistas, pelo seu caráter inovador, viram padrão para o desenvolvimento de outras localidades. "A área do País é muito extensa, mas ainda assim chega a inovação dos grandes centros. Só que os pólos de decisão estão cada vez mais concentrados", afirmou Juleusa. Para a professora, outras metrópoles brasileiras também já ultrapassam os limites das fronteiras brasileiras, como Curitiba, cujas ações do ponto de vista urbanístico são exportadas para a Colômbia, México e Coréia do Sul, entre outros países.
"As cidades que recebem a influência de São Paulo se espalham no modo de ser da metrópole e estão participando na nossa cultura. Só não conseguimos prever em quanto tempo esses locais também vão evoluir e crescer", analisa o geógrafo Joaquim Alfredo da Fonseca, professor aposentadoda PUC de São Paulo.
COMPRAS E LAZER
Para fazer compras básicas, a família do engenheiro agrônomo Evandro Elias, de Gurupi, em Tocantins, usa o mercado mais próximo no bairro. Mas se o objetivo é adquirir algo mais elaborado, como produtos eletrônicos ou um simples livro, é preciso colocar o pé na estrada. O estudo do IBGE mostra que a média dos deslocamentos para compras no comércio varejista da população brasileira é de 48 quilômetros. Mas quanto mais distante está a cidade, maior o percurso a ser percorrido.
Na região norte, os deslocamentos de primeira opção envolvem em média 102 quilômetros, enquanto no Sudeste os mesmos deslocamentos equivalem em média a 38. No Estado de São Paulo, por exemplo, que tem uma rede urbana bem estruturada e escalonada, predominam fluxos curtos e homogêneos. No Amazonas, no entanto, as redes que se formam envolvem deslocamentos longos e chama a atenção o espraiamento da área capitaneada por Manaus, que exerce grande centralidade no Estado. As menores distâncias percorridas para compras estão em Porto Alegre (26 quilômetros), Curitiba (30), Rio (35) e Recife (38). No Estado de São Paulo, são 49 quilômetros. Mas, em Manaus, no Amazonas, a maior distância fica em 218km - em Belém, são 90.
As desigualdades ganham maior peso ao se analisar as médias das distâncias de deslocamento para opções de lazer fora do próprio município. Norte e Centro-Oeste tem médias das distâncias de deslocamento para opções de lazer fora do próprio município. Norte e Centro-Oeste têm médias bem acima da nacional no acesso ao entretenimento, que é de 65 quilômetros: 108 e 107 respectivamente. Nas demais regiões, os valores são de 58 quilômetros no Nordeste, 50 no Sudeste e 36 no Sul. "Os filmes só chegam aos cinemas de Gurupi muito tempo depois que foram exibidos em São Paulo e no Rio. VocÊ vai ao cinema já sabendo o final do filme, quem morre e quem fica com quem. Perde a graça", revelou o agrônomo.
Eduardo Reina e Diego Zanchietta
Notícia originalmente publicada no jornal O Estado de S. Paulo de Sábado, 11 de Outubro de 2008.